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Diz a lenda mexicana que Maria, uma jovem que vivia em uma vila rural, era conhecida por sua beleza, a qual encantou um homem rico que durante uma viajem passava pela vila, os dois se casaram e tiveram dois filhos, porém seu marido, que estava sempre viajando, dava menos atenção a ela conforme o passar do tempo até que um dia ele voltou para casa com uma mulher mais jovem e decidiu deixar Maria. Durante um acesso de raiva, cega pela rejeição do marido, ela leva seus filhos a um rio e os afoga, quando percebe o que fez tenta procurar pelas crianças, porém seus corpos já haviam sido levados pela correnteza. Dias depois seu corpo é encontrado a margem do mesmo rio. Pelos seus atos, Maria é proibida de entrar na vida após a morte até que encontre seus filhos, então, presa entre os vivos e os mortos ela vaga, chorando arrependida em busca de seus filhos, e para substitui-los ela irá atrás de qualquer criança que cruzar seu caminho.

O filme começa com uma cena rápida que mostra a origem da lenda da Chorona, interpretada por Marisol Ramirez, nesta que talvez seja a melhor cena do filme, a mãe enfurecida persegue seus filhos usando um véu branco antes de afoga-los no rio. Então somos transportados para Los Angeles em 1973, Anna (Linda Cardellini), que ficou recentemente viúva, divide seu tempo entre seus filhos Chris (Roman Christou) e Samantha (Jaynee-Lynne Kinchen), e seu trabalho como assistente social.

Como parte do trabalho, Anna realiza visitas as casas das crianças que são assistidas por ela, e em uma visita a casa de Patricia Alvarez (Patricia Velasquez), ela a encontra visivelmente perturbada e seus dois filhos trancados em um armário, ignorando os avisos que a principio parecem não fazer sentido, a assistente social decide levar os garotos para um centro de acolhimento, porém antes mesmo de amanhecer os dois são encontrados mortos em um rio, agora a entidade que perseguia os filhos de Patricia passa a perseguir os filho de Anna, e sua única esperança é um curandeiro chamado Rafael (Raymond Cruz).

“A Maldição da Chorona” é o sexto filme do universo de “Invocação do Mal”, e tendo apenas dois filmes da franquia principal (com o terceiro previsto para 2020), começa a surgir a dúvida se esses spin-offs estão na verdade tornando a franquia exaustiva ao invés de enriquece-la. Tendo agora uma história independente, com uma entidade que não foi anteriormente apresentada, como era o caso da A Freira (2018) e Annabelle (2014), o personagem que faz a conexão com o universo é Padre Perez (Tony Amendola), que alguns vão reconhecer do primeiro filme sobre a boneca Annabelle, mas caso você não reconheça o filme insere um flashback do filme de 2014, de maneira disruptiva que acaba com qualquer profundidade que a cena possa ter, arrancando risos da plateia.

Michael Chaves, que também é diretor de Invocação do Mal 3, na sua estreia dirigindo um longa, recria a estética de James Wan, mas passa longe na eficiência em evitar a previsibilidade, que é costumeira em filmes do gênero, usando todos os elementos já vistos muitas vezes, longos silêncios para anteceder sustos, decisões claramente estupidas, todas as bugigangas necessárias para preparar um exorcismo, e o alivio cômico que hora funciona e hora é só constrangedor, além do fato de que quando se trata de maquiagem a Chorona e a Freira frequentam o mesmo maquiador, o filme passa de assustador para cansativo.

Em alguns momentos o filme funciona, como na cena, presente no trailer, em que a Chorona espreita Samantha na banheira, e na qual ela persegue os filhos de Patricia, e até mesmo na preparação para o exorcismo, que é mais do mesmo, mas é um dos momentos em que o filme parece que volta a vida, dando a esperança de um entusiasmo que é abatido pela falta de surpresa.

As atuações são tão eficientes quanto podem ser considerando a trama, Linda Cardellini, que antes caçava fantasmas como Velma ao lado do cachorro falante Scooby-Doo, cumpre seu papel como a mãe antes cética e depois desesperada, as crianças também entregam com eficiência quando sentimento é de medo, e Raymond Cruz mantém as coisas um pouco mais interessantes como o curandeiro durão que não sente medo.

“A Maldição da Chorona” tem como vantagem ser melhor do que “A Freira”, de 2018, apesar do seu arranjo genérico, e vamos esperar que não seja uma prévia de tudo o que estar por vir em “Invocação do Mal 3”.

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