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Nessa obra, notamos essa habilidade maravilhosa de Woody Allen ao juntar uma homenagem ao Cinema com uma comédia romântica e uma construção dramática.

Nesse filme extraordinário, com todos os detalhes impecáveis, ele extravasa, deixando sua criatividade encantar em todos os sentidos, com sua perspectiva única e tão talentosa. Woody tem a tendência de nos mostrar relacionamentos reais, a vida como ela é, complexa e difícil, como observamos em “Annie Hall” (1977) e “Manhattan” (1979).
Na obra, o tempo é a Grande Depressão, época de desequilíbrio na economia dos Estados Unidos; e o diretor mostra o desemprego bem transparente, a grande diferença social desse período. A vida dura que Cecília leva, com um marido que a faz sofrer, faz levar a um relacionamento de infidelidades, interesses e tristeza, junto com um emprego que consome sua alma, reclamações e ameaças. Seu consolo esta no Cinema, vendo a vida de glamour dos socialites de Hollywood, sonhando com uma vida que parece impossível ter. Quando o “impossível” acontece, ela vive intensamente os momentos com aquilo que sempre sonhou, mesmo não sendo real.
Os espectadores podem acabar não percebendo, mas é uma obra relativamente triste. Quando Tom Baxter pula para fora da tela, tem o choque como o mundo é de verdade. Assim como quando Cecília em seu ato de coragem, vai embora de casa, e o marido grita que ela voltará, pois o mundo real irá encontrá-la. E o filme acaba sendo sobre isso: a realidade cruel e, trazer para ela, o fantasioso, como em uma das cenas mais marcantes do filme, quando o garçom abandona a bandeja e começa a dançar e fazer o que gosta, dentro do filme que esta sendo assistido.
A preferência à fantasia do que a triste realidade é bem retratada no filme, com a indecisão de Cecília entre o fictício e perfeito, e o real e ordinário. O diretor mostra muito bem o poder que o Cinema tem de nos levar para outra dimensão, nos fazer de certa forma fugir dessa realidade, nos levando em certos momentos a nos confundirmos entre dois mundos. Essa metalinguagem usada por Woody Allen, é fantástica, nos fazendo refletir ao término do filme.

Por Camila Bonfim.

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