SINOPSE PEQUENA

Até que a Sbørnia nos Separe de 2014 é uma animação hilariante livremente baseada em Tangos & Tragédias, genial peça de teatro musical, criada em 1984 por Nico Nicolaiewsky e Hique Gomez. Produzida por Otto Guerra, que também assina a direção ao lado de Ennio Torresan Jr., levou dez anos para ser concluída. Traz ainda no seu elenco Fernanda Takai e Arlete Salles, com trilha sonora de André Abujamra.

A narrativa se passa na fictícia Ilha de Sbørnia, que é separada do continente por um muro que acaba sendo derrubado após um acidente durante uma partida do esporte local, o “Machadobol”. Após a queda dessa divisória a região passa por grandes transformações nos seus hábitos, aderindo as diferentes modernidades, que ainda não haviam chegado por lá. Enquanto alguns querem se integrar aos novos costumes, outros querem impedir as mudanças e manter suas tradições regionais. Os personagens principais são Kraunus Sang, Plestkaya (nas respectivas vozes de Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky) e Cocliquot (voz de Fernanda Takai). Kraunus é um homem rabugento, que só se comunica por resmungos e que é resistente as mudanças de sua amada terra natal, além de ser descendente do construtor do muro. Plestkaya é um romântico à moda antiga, dramático e sentimental, que se apaixona por Cocliquot, que é uma menina educada de forma reclusa por uma família burguesa e controladora, representada por sua mãe (voz de Arlete Salles).

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Em meio as gargalhadas despertadas é quase impossível não reconhecer as referências à antiga União Soviética e países do Leste Europeu, a queda do muro de Berlim, o avanço do capitalismo e industrialização vorazes, assim como a representação estereotipada, mas carinhosa, dos colonos europeus que se estabeleceram pelo interior do nosso país. Apesar de o filme representar principalmente a cultura dos imigrantes alemães, italianos, poloneses, entre outros, que colonizaram o sul do Brasil é uma narrativa que dialoga com a história brasileira e mundial. Temos a chegada de personagens da Disney e quadrinhos, na cidade, assim como a exploração comercial de um produto fictício, para fazer o Bizuwin Soda, um misto de referência aos refrigerantes industrializados e a erva Mate consumida em parte da América do Sul. Para quem assistiu ao filme “Adeus Lenin! / Good Bye Lenin!” de 2003, vai encontrar muitas semelhanças, principalmente pela forma criativa e descontraída com que os acontecimentos históricos são retratados.

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As animações são raríssimas no Brasil, principalmente as que chegam ao cinema. As últimas que se destacaram, foram “O Menino e o Mundo” de 2014, “Uma História de Amor e Fúria” de 2013 e “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll” de 2006. Quando elas conseguem vencer todos os obstáculos, que enfrentam para chegar ao conhecimento de um público reduzido, mas significativo para o gênero, sempre nos surpreendem com sua qualidade e capacidade de representação da sociedade. Até que a “Sbørnia nos Separe” não é diferente.
A adaptação em desenho animado sobre a Ilha de Sbørnia, serve de consolo para aqueles que como este que voz escreve, cometeu o erro de não conferir o espetáculo, nas temporadas de verão do Teatro São Pedro de Porto Alegre/RS e em outras cidades pelo país. Isso já não será mais possível, pois a peça que esteve em cartaz durante quase trinta anos, chegou ao seu fim no ano passado com a morte de Nico Nicolaiewsky. Quem carrega este arrependimento, encontrará um alento na narrativa e diálogos protagonizados pelo eterno Maestro Pletskaya ao lado de Kraunus Sang.

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A Otto Desenhos Animados, que à 35 anos luta pela gênero no Brasil é o estúdio responsável por toda a impecável e deslumbrante criação artística animada e o codiretor Torresan que faz parte da DreamWorks Animation, a quase 20 anos, tendo seu nome nos créditos de filmes como Madagascar e Kung Fu Panda. Em 2013 o longa metragem venceu os prêmios de Melhor filme para o Público, no Festival de Cinema de Gramado, além de faturar o prêmio de Melhor Filme na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo no mesmo ano. Com certeza todos os aspectos citados, merecem que você prestigie a obra no cinema, caso ele passe em uma sala perto de você.

Dedicatória: Esta crítica é dedicada ao Maestro Plestkaya, o primeiro sborniano a voltar para a ilha.

Trailer da animação:

 

3 thoughts on “Até que a Sbørnia nos Separe

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