Boy Hood – Da Infância à Juventude

Boy-Hood-Sinopse 2

Linklater superou as expectativas com despretensão novamente. Boyhood é único, acreditem, 2hs e 45 minutos passam voando. A imersão de realismo temporal que propõe a produção filmada em intervalos entre os 12 anos da vida de Mason(Ellar Coltrane) desestrutura a tradição de roteiros com clímax formais, apesar de seguir a linearidade da vida, mas como um bloco de momentos desconexos que forma uma massa concreta de experiências. Este é seu maior mérito, deixar o público abraçar a vida de um garoto comum com problemas ídem, com uma mãe solteira batalhadora(Patricia Arquette) e um pai recreativo(Ethan Hawke). Todos estão naturais, não naturalistas, até mesmo os diversos atores coadjuvantes que compõem o quadro, entre as separações de maridos alcoólatras da mãe, constantes mudanças, escolas novas, e o privilégio de viver em um lar com liberdade, a grande alcunha americana não deliberadamente jogada no manuscrito, onde vemos o desconforto do garoto ao receber aos 15 anos uma arma, uma bíblia e um terno; pois nosso personagem é criado no Texas. Todas as angústias filosóficas de um garoto sensível e bem direcionado fazem sentido no nosso mundo, mesmo destoando de diversidades culturais menos individualistas como a nossa, pois Mason ainda tem uma base forte de ligação familiar, sem afetação. É um marco cinematográfico sim, mas sem peito estufado de filmes em 3D ou cheios de recursos narrativos confusos ou planos tecnicamente ambiciosos. Um obra-prima.

 

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