SINOPSE

Adirley Queirós tem em seu currículo um documentário (A Cidade é uma Só?) e um curta-metragem que foi laureado com o Prêmio Câmara Legislativa do Distrito Federal (Dias de Greve). Mas isso não significa que o torna um grande diretor, já que em sua estreia em ‘Branco Sai, Preto Fica’ parece não perder o gosto da narrativa em forma de documentário. Além de mostrar apenas o cotidiano dos protagonistas de modo que entedia o espectador, o filme deixa certa expectativa na espera de uma cena em que mostra a truculência com que os policiais tratam os moradores que frequentam bailes funks. Caro leitor apimentado, se contente apenas com os fatos narrados e o flashback, são apenas fotos (caso você tenha vontade e coragem de conferi-lo). Os fatos são narrados por um radialista negro e deficiente que sentiu na pele a ‘injustiça’ contra pessoas que vão aos bailes para se divertir. Não espere muito de um filme que não sai do canto e não leva a lugar algum. É pouco convincente demais para ser apreciado.

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Com o roteiro dominado por rotinas não interessantes, com personagens cujas deficiências físicas são os únicos fatores que demonstram um pouco de veracidade, o filme primazia também sobre a discussão do racismo e diferença de classe social. Esta persistência em mostrar a cruel realidade do “preto favelado” (menos expressivo, se vê logo de cara) já mostrada em outros filmes, em ‘Branco Sai, Preto Fica’ é até criativa. Não há como negar. A platéia não é pega de surpresa em momento algum, desde o início quando a rotina de Marquim da Tropa é exposta, ele se sente a vontade mesmo até na hora de contar através de diálogos de pessoas feitas por ele mesmo. Seu amigo, também vítima de discriminação, tem sua versão contada de maneira menos interessante e mais chata.

Nos momentos de ‘justiça’, eis que aparece um terceiro personagem (sem necessidade). Personagem esse que confunde e mostra que o brasileiro é preconceituoso com os próprios brasileiros por serem menos favorecidos, apenas para deixar o filme mais chato e frustrar o espectador cada vez que aparece em cena. A tentativa para culpar os policiais contra a classe proletária em frases como “veado prum lado, puta pro outro” ou a frase que inspirou o título “branco pra fora, preto aqui dentro” talvez seja o que há de mais pueril. Sua outra tentativa de torná-lo um bom filme e que deixar o público satisfeito (que pode ter funcionado para uns), foi a forma como Marquim narra os fatos ocorridos na noite que o deixou aleijado. Daí é só tirar os olhos do telão e usar a imaginação.

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O que chamaria tanto a atenção num longa como este? O fato de ter vencido 11 (isso mesmo caro leitor, 11) prêmios no Festival de Brasília em 2014 é um tanto duvidoso já que se trata de uma “obra” de origem brasiliense. Mas, a crítica social que se faz presente todo o tempo foi o que chamou a atenção e foi o pano de fundo para tanta justificativa. Com personagens desesperançados onde um deles faz questão de se roer com o passado, ‘Branco Sai, Preto Fica’ aparenta ser manipulador (tire suas conclusões) querendo conquistar a qualquer preço. Se conquistou, é um assunto a ser discutido, pois como é entediante é porque alguma coisa tem. O resultado não é satisfatório, pois decepciona pelo argumento que, parando para analisar até que convence, mas engana por causa da fragilidade da direção e a falta das cenas da tão falada agressão vinda de quem deveria dar segurança, ao invés de agredir e reprimir.

Trailer do filme:

 

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