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Panorama geral: Ryota (Hiroshi Abe), um ex-escritor de sucesso e agora detetive particular que perdeu todo dinheiro em apostas, está enfrentando uma separação. Para piorar, sem dinheiro ele não pode pagar a pensão e ver seu filho. Quando seu pai morre, ele percebe as coisas mais valiosas que perdeu e ao ficar preso na casa de sua mãe por conta de uma tempestade, tenta se reaproximar de sua família. A direção é do respeitado diretor japonês Hirokazu Koreeda, de ‘Andando’, ‘Ninguém pode Saber’, ‘Pais e Filhos’ e o mais recente ‘Nossa Irmã Mais Nova’. Ele também é conhecido por escrever e montar todos os seus filmes, assim como faz aqui em ‘Depois da Tempestade’.

mv5bmta5mmjhmtktmwe2ms00nde0lwe2mzitodqxytaxndnhmtrlxkeyxkfqcgdeqxvyndu2mdy1nje-_v1_ Imagem que reflete bem a decadência do protagonista

Sobre o que o filme fala? Esse é um filme bem delicado que fala sobre várias situações que as pessoas passam quando se relacionam umas com as outras. É perfeito para quem estiver em um momento mais reflexivo de sua vida com relação à família, casamento, paternidade e etc. Por meio da situação decadente financeira e emocionalmente do protagonista, o diretor Koreeda nos mostra como é importante dar valor paras as pessoas antes de perdê-las. Além disso, através da sabedoria dos mais velhos (representada no filme por Yoshiko, a mãe de Ryota) há várias lições a ser aprendidas, por exemplo, você pode conhecer muito bem seus defeitos e saber das suas limitações, mas nada te impede de se tornar uma pessoa melhor, entre outros, como até mesmo uma tragédia pode unir as pessoas e fazer com que elas cresçam e se entendam.

de A sábia Yoshiko e seus conselhos

Roteiro: Embora não seja um filme com cenas que chamem muito a atenção, é um trabalho minucioso onde as pequenas coisas marcam e ficam na cabeça por um bom tempo. O roteiro conta com grandes diálogos, como um entre mãe e filho que explica que o homem ‘tenta recuperar o que perdeu, sonhando com aquilo que não vai ter’. Mas há também um bom desenvolvimento do protagonista, com situações que mostram ao espectador quem realmente é Ryota, seja como pai, como filho, sua ética no trabalho e também demonstrando tudo o que ele deseja no seu interior. São poucos os filmes que conseguem atingir isso sem parecer apelativos ou explicativos demais. E há também uma verdadeira transformação interior no personagem. É incrível como ele começa e termina o filme totalmente diferente em apenas duas horas.

mv5bmdrizwyyy2itzdcwys00yjhkltgzytqtmdkxotk4mge1mza1xkeyxkfqcgdeqxvyndu2mdy1nje-_v1_ Nesta bela cena, será que o casal fará as pazes? A postura corporal dá dicas…

Para a mulher o ter deixado, boa coisa esse Ryota não deve ser: É verdade que todos entendemos o porquê de Kyoko (Yoko Maki) ter abandonado Ryota, justamente pela forma como ele começa o filme. Mas, outro elogio a ser feito é que se deixarmos de julgar o personagem e tentarmos entendê-lo, logo descobrimos o quanto ele ama seu filho e muito do que faz é pensando no bem estar do garoto. Essa multidimensionalidade – fruto da sólida direção de atores de Koreeda com a incrível interpretação de Hiroshi Abe – é que torna seu drama plausível e assim consegue gerar empatia no espectador (se ele fosse apenas ‘mau’, não teríamos porque gostar dele). Mesmo dúbio, Ryota consegue ser carismático e charmoso.

mv5bmguxngiwnmytodfini00ytc5ltk2zjgtnzhiogq1mja5ntbhxkeyxkfqcgdeqxvyndu2mdy1nje-_v1_ O vício das apostas atrapalhou muito Ryota

Então o filme é perfeito? Não é bem assim, em termos de ritmo o filme exige bastante dedicação por parte do espectador. Alguns provavelmente vão achar a trama demasiada lenta e a pouca trilha sonora – embora talvez acrescente mais ‘naturalidade’ – também não contribui para prender a atenção do público. Mas, verdade seja dita, pode ser considerado um filme de arte e, sendo assim, é mais indicado a um grupo seleto de admiradores do cinema oriental. Não vou ousar a criticar a direção de Koreeda, mas alguns planos com a câmera estática chegam a cortar partes dos atores em vários momentos, tirando eles do enquadramento. Sinceramente, não descobri qual função narrativa isso poderia ter.

Conclusão: ‘Depois da Tempestade’ conta com grande direção e atuações, e pode ser considerado um dos filmes mais humanos de 2016. Já havia sido indicado em Cannes e foi um dos filmes mais elogiados na Mostra de SP deste ano, chegando agora ao circuito comercial para aqueles que perderam. A honestidade como aborda seus temas e o arrependimento do personagem chega até a emocionar. Destaque também para a bela música de encerramento do filme. Extremamente indicado aos amantes do belo e paciente cinema de arte japonês.

UM MOMENTO APIMENTADO: Pai e filho escondidos no parque sob a tempestade.




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