Direção de David Leitch encanta diante uma história padrão de ‘Atômica’

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Durante o conflito geopolítico e ideológico entre Estados Unidos e União Soviética ocorrido entre o tempo pós-Segunda Guerra e o ano de 1991, ficou conhecido como a famosa “Guerra Fria”, dado esse nome por ser uma guerra mais estratégica do que física, rendendo, assim, altos casos de espionagem.

Mas essa minha introdução à ambientação do novo filme dirigido por David Leitch vocês já conhecem e já estão meio cansados de ouvir, e é exatamente isso que ‘Atômica’ é.

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Longe de ser um filme ruim, ‘Atômica’ traz o conceito espionagem novamente aos cinemas, retirado da graphic novel escrita por Antony Johnston, e “joga no verde”, ou seja, faz sua lição de casa com uma história redonda e fechada, mas não passa disso.

Apesar de no geral ser muito mais do mesmo, Leitch consegue trazer elementos diferentes e interessantes, e o primeiro que merece mais destaque é sua direção. Mesmo fazendo um bom trabalho, mas nada surpreendente, em cenas de diálogos e desenvolvimento, Leitch encanta nas cenas de ações secas e densas, com um belo trabalho de som que só fortalece essas características.

Lutas aparentemente reais e bem filmadas – destaque para a belíssima cena de plano sequência com Charlize arrebentando – fortalecem cada vez mais sua marca adquirida em ‘John Wick: De Volta ao Jogo’ (2014), mas Leitch, infelizmente, surpreende só nisso, sem ter (pelo menos até agora) um roteiro que fortaleça ainda mais seu potencial.

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Com elementos muito padrão de filmes de ação e espionagem, ‘Atômica’ não eleva o tema e entrega aquilo que o público já está acostumado a assistir. Particularmente, enxergo isso como algo ruim, mas sabemos que funciona, e isso é o que importa.

Difícil de definir ‘Atômica’ sem repetir termos já utilizados aqui no texto, gosto de olhar para o longa como uma graphic novel. Sim, sei que o filme foi adaptado de uma, e aliás, foi muito bem. O filme traz elementos dos quadrinhos diversas vezes, seja na linguagem mais dinâmica ou no visual mais “cartoonesco”, mas ele entrega uma história boa, fechada, redonda e com cenas que divertem, como se fosse uma leitura rápida de um quadrinho divertido.

Mesmo com diversas cenas de ação bem trabalhadas e que encantam os olhos dos fãs de filmes de luta, o filme apresenta plots fracos e previsíveis em meio a uma história clichê e padrão – que gosto de reforçar diversas vezes – e perde aquele espectador que esperava algo a mais.

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Outro grande destaque vai para o fantástico trabalho de Charlize Theron, que não só arrasa sendo a melhor espiã da MI6 – inteligência britânica – mas como também consegue entregar um belo trabalho de atuação, chegando a lutar por conta própria nas cenas de ação (seus dois dentes perdidos não gostaram tanto disso). Como protagonista, Charlize não cansa em tela e consegue ter um ótimo dinamismo com os outros personagens, principalmente nas cenas de interrogatório, com John Goodman e Toby Jones presentes.

A direção de Leitch caminha lado a lado com a trilha sonora totalmente anos 80 e de encantar os ouvidos durante a sessão. New Order, David Bowie, George Michael, entre outros, são bem utilizados nos momentos narrativos, já que as músicas são tocadas através de discotecas, rádios e shows, mas falha em certas vezes querer utiliza-la demais, não em quantidade, mas sim utilizar a música em primeiro plano, sendo que naquele momento, o que está em segundo é o mais importante.

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Torcendo para que ‘Atômica’ fosse mais um dos filmes que me fizesse sair do cinema empolgado e feliz, ele me rendeu uma certa frustação e me deixou com gostinho de “poderia ser melhor”. Mas entregou um trabalho bem feito, mas longe de ser digno de nota máxima.

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