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O experiente diretor britânico Ken Loach tem um dom de tocar o público com histórias e temas reflexivos. Caso você nunca tenha ouvido falar dele e de nenhuma de suas obras, basta conferir ‘Terra e Liberdade’, ‘Meu Nome é Joe’, ‘Mundo Livre’ ou ‘Brisa de Mudança’ (no qual levou sua primeira Palma de Ouro em Cannes em 2006) e irá conferir seu jeito maleável de dizer ao mundo que se importa com os minoritários e injustiçados. Em ‘Eu, Daniel Blake’ ele mostra que ainda continua emocionando. Dez anos após ser laureado com sua primeira Palma, Loach foi agraciado mais uma vez por seu novo trabalho.

Em 2016 em Cannes, foi um ano em que a política esteve presente em seus filmes. Dentre eles,

‘Aquarius’

que tem forte influência de como o poder corrompe as pessoas, que se iguala a ‘Eu, Daniel Blake’ por abordar o tema “resistência” figurados em seus protagonistas, e que também mostram de maneira o mais humano possível, o quanto as pessoas lutam com perseverança e dignidade pelo que é seu por direito.

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Crédito: Divulgação

O drama que o protagonista desse filme passa, é também reflexo dos tantos outros problemas que muitos brasileiros enfrentam hoje em dia. Não se referindo apenas aos que sofrem obstruções ao se aposentar, mas também aqueles que por falta de instrução não contestam a qualquer objeção. Este é o tipo de filme no qual os aposentados podem se inspirar e correr atrás do que é seu por direito. Afinal, se a coisa em nosso país está retrocedendo e não evoluindo, o que se aconselha numa situação dessa, é que cada cidadão brasileiro combata contra o “Déficit da Previdência Social”.

Daniel (interpretado pelo comediante Dave Johns), um viúvo de 59 anos que depois de sofrer um ataque cardíaco, e ser aconselhado por seu médico a interromper seu trabalho como carpinteiro, se vê resignado por causa das dificuldades que a burocracia por parte do governo lhe expôs. Não bastasse isso, ele tem dificuldades com o mundo moderno. Não sabe usar computador, não tem ideia de como elaborar um curriculum vitae (CV) e como se isso não fosse o suficiente, ainda tenta se adaptar as longas esperas ao telefone que leva aos altos custos de créditos do celular. Numa dessas tentativas de conseguir garantir sua instabilidade financeira, enquanto está inapto a trabalhar, ele conhece Katie (Hayley Squires, excelente) uma mãe solteira que acabara de se mudar para Londres, que tem dificuldades para criar seus dois filhos.

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Crédito: Divulgação

Surge entre eles uma amizade que vai muito além da necessidade (Daniel torna-se uma espécie de pai para ela). Este relacionamento entre eles, é muito bem aproveitado e explorado, ganhando simpatia do público. Mesmo tendo todos estes obstáculos ele decide ajudá-la por ser uma pessoa de bom coração e ajuda como pode, alguém mais necessitado que ele. Ken Loach nos mostra um filme honesto e delicado, que é valorizado pelas interpretações do ator de “stand up” Johns e pela novata Squires, bem como também o resto do elenco que interpretam de forma natural. Para quem gosta de filmes temáticos ‘Eu, Daniel Blake’ é um prato cheio, e quem curte uma boa história, com uma bonita lição, também vai gostar, por se tratar de uma obra que requer atenção do espectador, se mostrando leve e cuidadosamente emocionante.




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