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Os dramas escolares, por muito tempo, foram tratados com uma naturalidade que caracteriza os abusos como parte natural do desenvolvimento das crianças e adolescentes. O “bullying” é um termo que passou a ser usado recentemente no Brasil, e mesmo com o tema em alta, é muito difícil mensurar o quanto a qualidade de vida nas escolas pode ter melhorado. E trazendo o assunto de volta a tona, “Extraordinário” adapta a obra literária homônima, onde tenta mostrar todas as faces dessas relações estabelecidas no ambiente escolar, evidenciando todas as diversas variáveis por meio de um garoto com um rosto deformado.

Com Julia Roberts e Owen Wilson no elenco, o filme gera uma expectativa passa si, dada a carreira dos atores em filmes agradáveis. Porém, a atuação não só é ofuscada pelo elenco infantil, como também não encontra o seu espaço no roteiro para um desenvolvimento mais amplo. É compreensível que ambos sejam coadjuvantes, visto que o filme procura explorar as relações em ambientes de predominância jovem. Mas por outro lado paira uma sensação no ar que os atores não tiveram o seu potencial explorado ao longo da trama.

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Os atores mirins conseguem roubar a cena, e não só o “experiente” Jacob Tremblay, que atuou em “O Quarto de Jack”, mas todos os coadjuvantes do ambiente escolar conseguem passar veracidade nos sentimentos expressos. As relações inconsistentes, típica da faixa etária, é muito bem evidenciada para mostrar que o bullying não se trata apenas de más pessoas maltratando pessoas inocentes, mas sim como parte da estrutura social adotada nos ambientes de convívio infantil.

Porém, todo o potencial que a produção tinha em mãos, com um elenco fantástico e uma história relevante, é praticamente perdido com uma montagem desorganizada do filme. Há uma tentativa de replicar a estrutura adotada no livro, com divisão de sequências com diversos pontos de vista, e num primeiro momento o filme fluí, mas não demora para que a trama comece a se perder em suas ramificações e buscar uma necessidade desenfreada de fazer o público se emocionar.

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Acaba sendo decepcionante acompanhar o desandar da história, com cenas apelativas para causar a emoção do público. A impressão que fica é que os produtores não confiaram na emoção e peso natural da trama que tinham em mãos. De todo modo, o filme está longe de ser um filme ruim e certamente irá agradar o grande público. Mas talvez seja um exagero dizer que o filme seja extraordinário.

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