Vivemos na era do remake. Seja com cara de continuação ou com cara de reboot, títulos e títulos vem sendo anunciados e futuros clássicos estão próximos de ganharem uma “cara nova”, mas, cá entre nós, sabemos nem todo filme deve ser refeito.

Mesmo que muitos clássico sejam remakes de filmes mais antigos, como é o caso de ‘Scarface’, de 1983, estrelado por Al Pacino e dirigido por Brian De Palma. Que na verdade é uma adaptação do filme homônimo de 1932. Mas, a diferença entre eles não está só no ano, mas também em seu contexto histórico. Os dois filmes tratam da mesma história, mas em um ambiente diferente devido à época, assim, podemos afirmar que há ganchos para um novo Scarface. Mas muitos filmes não funcionam assim.

R 1

Obras como ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’ (1968) e ‘Cidade de Deus’ (2002), são difíceis de serem refeitos e, dificilmente, ganharão algum remake futuramente. Muito se deve ao fato de como o diretor nos apresenta à história. Filmes autorais trazem em destaque a visão do diretor e a mensagem que ele quer passar, de uma maneira que só ele consegue passar. Outro diretor pode querer apresentar a história de Kubrick ou Meirelles, futuramente, mas apenas com uma visão própria, destoando da obra original e trazendo uma nova ótica, ao invés de refazê-lo.

Além de obras de caráter autoral, clássicos dos anos 80 e 90, que ainda fazem sucesso, não deveriam ganhar remakes, e não porque é considerado clássico, mas pelo contexto histórico em que ele está inserido e pela mensagem que ele passa. ‘Curtindo a Vida Adoidado’ (1986) é um exemplo de filme que não deve ser tocado. A história apresentada e toda a visão jovem que John Hughes apresentava na época não serve mais para os dias de hoje.
No final dos anos 80 a cultura tecnológica nascia e toda a questão da rebeldia adolescente eram discutida naquele momento. Matar aula e apresentar os adultos como pessoas inferiores aos jovens e nada inteligentes eram temas que conversavam com o público jovem da época, e muito do que é apresentado no longa, não conversaria com o jovem de hoje.

R 2

‘De Volta Para o Futuro’ (1985) é outro que só de ouvir o nome dele e a palavra remake na mesma frase já bate um arrepio. É preciso observar toda a importância que ‘De Volta Para o Futuro’ teve para uma geração e se teria o mesmo resultado atualmente. Nada do que é apresentado na trilogia é novidade, mas foi na época e por isso funcionou, principalmente no segundo filme, que explorou a previsão de como seria o futuro, chamando a atenção do público. O que vemos no filme do Robert Zemeckis foi copiado e usado como referência por muitos outros cineastas, excluindo ainda mais o sentimento de novidade.

R 3

O grande problema é que na maioria dos casos o remake não é um ode a obra original, e sim uma questão financeira, visando atrair o público antigo a fim de lucrar em cima dessa paixão. Foi o que tentaram fazer com ‘Poltergeist’ em 2015, mas obviamente não obtive sucesso. filmes clássico são atrativos, o que atrai o público. Imagine se um remake de ‘O Poderoso Chefão’ não atrairia o púbico? As pessoas podem não ter assistido o original, mas reconhecem um clássico, e isso gera curiosidade.

Mas um remake sempre estraga a obra original? Refazer um filme antigo requer inteligência e habilidade. Não basta refazer cena por cena de um filme, o que torna remakes interessantes são as adaptações. ‘Bravura Indômita’ de 1969 traz um ótimo trabalho de direção de Henry Hathaway e uma atuação sublime de John Wayne, o que lhe rendeu um Oscar. Mas a versão de 2010 dos irmãos Coen conseguiu, não só trazer a essência do original, como também, supera-lo. ‘Madrugada dos Mortos’, de 2004, dirigido por Zack Snyder recontou a história que George Romero apresentou em ‘O Despertar dos Mortos’ (1978), trazendo-a para a sociedade atual, fazendo uma crítica a sociedade de consumo, adaptando brilhantemente a obra de Romero.

R 4

Adaptado da obra de Stephen King, ‘It – Uma Obra Prima do Medo’ ganhou um filme em 1990 e marcou época, tornando-se referência no cinema de terror, principalmente após causar inúmeros traumas de coulrofobia. Longa que irá ganhar uma nova versão em 2017. Mas quem já assistiu o filme, sabe que o final apresentado não funcionaria atualmente, assim sendo a obra só se tornaria interessante se trouxesse discussões revelantes à esta época. ‘It’ explora muito do psicológico e pouco do “jumping scared”, característica dos filmes de grande bilheteria atualmente.

R 5

Remake é estratégia de mercado. Ter um grande nome nas salas de cinema chama o público. Por conta deste modus operandi do mercado, há grandes possibilidade de em um futuro próximo vislumbramos ramakes de filmes como ‘Senhor dos Anéis’ (2001), ‘Matrix’ (1999) e ‘Harry Potter’ (2001), entre outros.

Mas remake não é necessariamente algo ruim. Existe sempre a possibilidade de resgatarmos obras que não deram certo no passado e melhorá-las. Ninguém gosta de ver um clássico sendo refeito, por acreditar que apenas a obra original funciona e que o remake não conseguiria transportar a essência do que feito anteriormente. Mas o maior problema quanto ao remake é a falta de apostas em coisas novas. Seria reflexo de uma crise de criatividade coletiva em Hollywood?

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