INCENDIAR SEM PERDER A TERNURA | O DRAMA CHILENO “NONA: SE ME MOLHAM EU OS QUEIMO” TRAZ UMA REFLEXÃO EM TEMPOS DE GRANDE EBULIÇÃO SOCIAL

O cinema e a política sempre andaram juntos. A arte como ferramenta de expressão social é algo que se aprimorou com o tempo, seja na literatura, artes plásticas até chegar à sétima arte.

A história do Chile tem uma ferida ainda aberta na contemporaneidade que é a ditadura militar no país liderada pelo ex-presidente, o General Augusto Pinochet que durou 27 anos. Tempo de repressão e perseguição política a opositores que separou e marcou famílias para sempre no país sul-americano. O filme “Nona – Se me molham eu os queimo” é um relato experimental que evidencia essa cicatriz exposta no povo Chileno que mesmo 30 anos após o fim do regime militar ainda paga a conta da desigualdade social e do alto custo de vida no país que ainda conta com uma política de previdência social que impacta na vida de milhares de idosos.

Isso foi o estopim para uma onda de protestos violentos em Santiago em 2019 que culminaram num plebiscito que propôs a construção de uma nova constituição no país no fim do ano passado.

E neste contexto Nona, uma idosa de 66 anos se auto exila para a cidade litorânea de Pichilemu depois de incendiar um veículo de um ex- amante. Na nova casa ela se depara com uma série de incêndios inexplicáveis na vizinhança e quanto mais casas são destruídas pelas chamas conhecemos mais facetas dessa mulher através de relatos quase documentais do seu dia a dia. 

Uma história que conta a experiência da resistência e da luta como metáfora para própria história do país que num momento de ebulição social conseguiu forçar o governo a promulgar mudanças importantes na constituição diante de um caos social que durou 1 ano e não parou diante da pandemia.

Nona é o exemplo dessa resistência, que mesmo que tentem lhe calar com água como os canhões d’água do exército faziam com os manifestantes ela sempre vai responder com o fogo dos seus coquetéis molotov.

A diretora Camila José Donoso conduz a história com um lirismo que confunde o espectador entre o drama ficcional e o documentário, mas que explode de significado diante do contexto histórico da obra. A montagem e narrativa tem uma pegada lenta e amarra as confusas histórias de Nona e suas inúmeras personalidades através de uma linguagem às vezes até difícil para quem assiste.

Essa linha tênue entre a arte e a realidade é um fator fundamental de reflexão em tempos estranhos e introspectivos de Pandemia que vivemos no mundo todo, onde movimentos sociais ganham cada vez mais força independente de ideologia mundo afora e a luta contra o sistema se mostra uma tendência.

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