Isolacionismo e paranóia no cinema americano

Em uma época de intolerância direitista gradual pelo mundo, pensamos no por que candidatos declaradamente anti-imigração num país construído por imigrantes como os Estados Unidos, e claro que estamos falando de Donald Trump, conseguem ter tanta força logo após um governo de políticas sociais internas importantes como foi o de Barack Obama. As medidas de controle de segurança externas são iguais nos dois casos, democrata e republicano, mas o tradicional partido conservador tem em sua essência algo que faz parte da fundação de seu povo; o medo do outro, e uma crença subconsciente de que eles são os escolhidos de Deus para mostrar o caminho ao mundo.

alx_mundo-donald-trump-20150723-01_original1Donald Trump, candidato a presidência pelo partido republicano 

Os puritanos instituíram suas primeiras cidades baseadas muitas em preceitos cristãos nas suas leis, uma cidade-estado por assim dizer, movidos por um fundamentalismo tão forte quanto o que hoje eles tanto condenam dos povos árabes.

A intolerância cresce, e mais uma vez, no caso da vitória de Trump nas eleições por apoio de uma classe-média reacionária, o país ensaia um isolacionismo que não faz mais sentido num mundo globalizado. Será?

No começo do século XX isso os ajudou a acumular riqueza e usar políticas de proteção trabalhistas como o ‘Neal Deal’ para manter os trabalhadores empobrecidos com a depressão de 1929, favoráveis a essa crença e não afeitos ao comunismo que crescia exponencialmente neste período. Resultado, vitória na Segunda Guerra e apoio dos países europeus atingidos financeiramente pelo fascismo. Tudo estava ganho, e o próximo inimigo era de esquerda, e a Guerra Fria começaria, e mais uma vitória do neo-liberalismo com a falência da URSS e a queda do muro de Berlim em 1989.

Por isso vem ao caso uma reflexão sobre a crescente necessidade de controle e a paranóia que o país tenta impor ao mundo, ou pelo menos ao seu povo, e isto também vemos no cinema em três bons exemplos da ficção que o Pipoca de Pimenta indicará a você leitor.

No recente ‘A Bruxa’(Robert Eggers), uma família de peregrinos da Nova Inglaterra do século XVII é expulsa de sua própria comunidade por excesso de religiosidade e doutrinação puritana, e dentro de seu próprio convívio existe o despertar dos piores instintos de cada um após o desaparecimento de seu bebê, atribuindo a culpa ao sobrenatural e a filha mais velha que alcança ali o nascimento de sua puberdade.

abruxaAnya Taylor-joy em ‘A Bruxa’

Em ‘A Vila’(M. Night Shyamalan) uma comunidade se forma com o intuito de proteger sua geração dos perigos da vida moderna até o aparecimento de estranhas criaturas que rondam a floresta do entorno.

-a-vila-comunidade-utopica-e-o-fluxo-perpetuo.htmlJoaquin Phoenix e Judy Greer em ‘A Vila’

E finalmente baseado no romance clássico de Hawthorne, ‘A Letra Escarlate’(Roland Joffé), uma mulher engravida na Massachussetts de 1666, mas não revela o pai da criança por ter tido um caso com o reverendo local (Gary Oldman), ficando assim marcada com a letra A em sua roupa, pela suposição de adultério segundo as leis locais, tornando-se marginalizada em sua terra.

1il28YeHdQ56Y0nMzMxrBcXEAYdGary Oldman e Demi Moore em ‘A Letra Escarlate’

Esta não pretende ser de forma nenhuma uma análise política, mas um momento pra pensar os Estados Unidos usando seu imaginário através do cinema. Boa sessão a todos.

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