“LUCICREIDE VAI PRA MARTE” EM UMA TÍPICA COMÉDIA BRASILEIRA, MAS COM ALGUNS TRUNFOS

Fabiana Karla é uma comediante brasileira que dedicou grande parte de sua carreira a um programa de comédia para a massa, onde teve a oportunidade de interpretar diversos personagens, dentre os quais um que o seu primeiro e mais famoso: Lucicreide, uma empregada doméstica pernambucana. Agora, Lucicreide ganha o seu primeiro filme, com uma premissa bastante inusitada e um título que, apesar de conter um erro de português, chama bastante atenção, mesmo daqueles que não conheciam a personagem e nem se identificam com este tipo de comédia: “Lucicreide vai pra Marte” (deveria ser “para”).

A ideia de levar uma empregada pernambucana para Marte é bastante absurda e, por si só, cômica. Porém, o ineditismo da trama para por aqui e o resultado é uma grande mistura de clichês: mãe pouco valorizada pelos filhos; sogra inconveniente; pai que não dá atenção ao filho; lares desestruturados em diferentes classes sociais. O roteiro, assinado a 5 mãos, não convence por nada e se atrapalha com subtramas, mas talvez sua função principal tenha sido sustentar piadas ao longo de uma hora e meia de exibição, e neste caso ele cumpre o seu papel, pois durante todo o filme o espectador tem oportunidades de esboçar um tímido sorriso ou até mesmo dar uma boa risada. Destacam-se dois momentos em particular quando o filme presta uma homenagem a franquia Star Wars e ao filme “Alien – O Oitavo Passageiro”.

Claramente, Fabiana Karla leva o filme inteiro nas costas e por sua intimidade com o personagem faz um bom trabalho em entreter e divertir. Entretanto, é possível elogiar somente a protagonista, já que o elenco todo o elenco de apoio entrega péssimas atuações durante todo o filme, colocando em cheque, inclusive, a direção de Rodrigo Cesar, em sua estreia no cinema, que não conseguiu manter interessante, ou tornar engraçada, nenhuma das cenas sem a protagonista.

É interessante apontar que o filme, de acordo com a produção, teve cenas realmente filmadas nas instalações da NASA, na Flórida, e a cena de treinamento em gravidade zero foi realizada realmente, com um avião adaptado justamente para este fim, tal como nos treinamentos de astronautas.

“Lucicreide vai pra Marte” não é um filme estrelado para representar o Brasil no exterior, e obviamente não foi essa a intenção de seus realizadores, mas é ideal para um momento descompromissado quando queremos levar a nossa cabeça para a lua (nesse caso para Marte), ignorando a história e curtindo momentos engraçados, pois é exatamente esse o seu propósito. O filme estará nas salas de cinema a partir de 04 de março.