Muita vertigem e pouco The Rock em “Arranha-Céu: Coragem Sem Limite”

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Dwyane “The Rock” Johnson começou sua carreira no esporte, num primeiro momento no futebol americano e depois na luta, onde está ativo até hoje. Mas já são quase 20 anos desde o seu primeiro papel com mais destaque no cinema, em “O Retorno da Múmia” (2001), papel inclusive que lhe rendeu um filme “solo” do personagem Escorpião Rei. E entre filmes de aventura e filmes de comédia, o ator tem conseguido estabelecer as suas características no cinema. Em suma, o público já sabe o que esperar de um filme com The Rock, e procura assistir por conta da presença dele. Corroborando com essas premissas, o único apelo para o público assistir “Arranha-Céu: Coragem Sem Limite” é o ator. Visto que o diretor e roteirista, Rawson Marshall Thurber, não tem experiência com filmes de ação e a trama não recorre ao clássico “Inferno na Torre” (1974), não recebendo o rótulo de “remake” ou “reboot” (algo que parece fazer sucesso hoje em dia). Mas será que “O Rocha” consegue segurar o Arranha-Céu sozinho?

Basta ver o pôster, ou quiçá o título, para saber o começo, o meio e o fim do filme e inevitavelmente lembrar de “O Inferno na Torre”. Mas diferente do clássico com Paul Newman, “Arranha-Céu: Coragem Sem Limite” coloca um número muito reduzido de pessoas no alto do prédio em chamas, o que impossibilita a possibilidade da exploração das emoções e relações pessoais frente a possibilidade da morte. A trama é simples e clichê, os personagens são tão rasos quanto parecem, os vilões tão óbvios quanto poderiam e nada disso importa.

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Nada disso importa porque se trata de um filme de ação para o entretenimento bruto, e Rawson Marshall Thurber parece estar muito ciente disso. O cineasta se distancia de sua carreira, marcada por comédias, e trabalha neste filme para entregar a mesma diversão de “Família do Bagulho” (2013), explorando novas abordagens que não necessariamente o riso, baseada nas leves tensões em cena. Para trabalhar com pouco conteúdo e conseguir prender a atenção do público por quase duas horas é necessária uma certa habilidade, que divide os filmes puramente de ação entre ruins e “não ruins”, conquistada por Thurber.

As sequências são bem definidas, com cenas de tirar o fôlego e deixar qualquer um que tenha medo de altura, por menor que seja, completamente inquieto na sala de cinema. O diretor consegue criar momentos que o espectador tenta não olhar para a tela, da mesma forma que não olharia para baixo no parapeito de um arranha-céu. Os efeitos visuais são plenamente satisfatórios. E na verdade, a criação do arranha-céu é executada de forma surpreendente onde, mesmo em 2D, apresenta-se uma profundidade imersiva no cinema.

E o The Rock ? Ele corre, pula, escala, soca, atira, voa e salva o dia (e detalhe, sem uma perna). Neste longa, inevitavelmente, a atuação acaba ficando de lado e dá lugar a execução, onde o ator realiza as cenas de forma mecânica, como uma peça de algo maior. É evidente a preocupação do diretor com a construção da cena como uma experiência, que não dá espaço para maiores aprofundamentos no trabalho dos atores. E de forma inesperada, quem segura o arranha-céu é Thurber e não a “O Rocha”. Assim, não vemos a garra do ator que transparece na franquia de “Velozes e Furiosos” e nem mesmo a exploração adequada do humor, presente em “Jumanji: Bem-Vindo à Selva” (2018).

“Arranha-Céu: Coragem Sem Limite” pega o conceito de um clássico, explora com uma outra visão e usa o nome de um astro para emplacar, uma fórmula batida, mas que entrega um bom resultado.

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