O Babadook: Uma alternativa aos filmes de terror

A grande maioria dos filmes de terror possui uma lógica nada convincente que costuma provocar mais risos do que sustos. São cenas que pouco economizam no sangue falso; que abusam da trilha sonora fora de hora; fazem qualquer barulhinho de pássaro na janela parecer o monstro (e usam esse truque incansavelmente); personagens que correm sozinhos em direção ao capiroto ao invés de andar em bando e em busca da luz.

Mas não se a direção do filme esta nas mãos de Jennifer Kent.

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Ela começou sua carreira como atriz, até que em 2005 o curta ‘Monster’, que foi exibido em 50 festivais ao redor do mundo, a destacou na direção. O curta retrata a vida de uma mãe viúva e de seu filho que são aterrorizados por um boneco perturbador que, no escuro, toma a forma de uma criatura horripilante. E essa criatura não provém de explicações do tipo “estamos em uma casa amaldiçoada”, essa criatura é a personificação de um luto que não foi superado.

Em 2014 Jennifer Kent adaptou seu curta transformando-o em um longa metragem, ‘O Babadook’. Este filme de horror possui uma estética advinda diretamente do expressionismo alemão, com planos que exploram novas simetrias em um jogo de luz e sombra muito marcado. Uma mãe e seu filho vivem sozinhos em uma casa; o pai morrera num acidente de carro; a rotina materna parece cansativa: ter de lidar com o filho que possui uma imaginação fértil, trabalhar, ser carinhosa e atenciosa, ignorar suas vontades em prol da família… Até que um livro misteriosamente surge na estante, com ilustrações um pouco macabras e frases perturbadoras: “Seja numa palavra ou num olhar, você não poderá se livrar de Babadook”.

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O filme acontece, na maior parte do tempo, dentro de uma casa estilo vitoriana. A imaginação da criança vira o instrumento que concretiza a existência do “monstro” na casa. O fato de Samuel não ter conhecido seu pai e sua mãe cultivar na casa um quarto somente com suas lembranças, instiga a criança a descobrir mais sobre essa figura paterna que é ausente e presente ao mesmo tempo.

Jennifer Kent combina diferentes elementos cinematográficos e dá a eles um significado que vai além do que está na superfície da tela. Esta forma de fazer filmes de terror desperta muito mais a curiosidade e as reflexões do espectador, dialoga com nossos próprios demônios e nos sinaliza que precisamos entender muito mais do que temer esse espectro que nos ronda infinitamente: a morte.

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