SEM PIXAR, “MONSTROS NO TRABALHO” É UMA SEQUÊNCIA DE DECEPÇÕES

Antes de mais nada, caro leitor, saiba que este texto foi escrito por alguém que, com 8 anos, foi ao cinema assistir “Monstros S.A.” e ficou encantado com a riqueza da produção em todos os aspectos, e nesses 20 anos viu o longa diversas vezes, em VHS nos primeiros anos, em DVD nos anos seguintes e em Blu-Ray nos últimos anos. Dito isso, que fique claro que não se trata de uma crítica qualquer de um seriado infantil, e na verdade perto de tanto lixo que vêm sendo apresentado aos pequenos, “Monstros no Trabalho” é uma excelente produção e pelo menos preserva valores, mas este texto é destinado a você marmanjo ou mulher adulta, que já chegou nos 30 ou está perto, você que esperou 20 anos para ver uma continuação de um filme querido da infância, você que como eu, ficará decepcionado com um trabalho porco e desrespeitoso.

A notícia que a Pixar não se envolveu na produção já era um mal presságio, afinal ninguém sequer lembra da primeira empreitada da Disney de tirar uma ideia das mãos dos criadores para produzir algo por conta própria. Falo de “Aviões”, um derivado de “Carros” que fez muito menos sucesso do que o original. E no caso específico dos Monstros, o trabalho da Pixar em 2013 com “Univeridade Monstros” não foi lá tudo isso, mas mal sabíamos o que estava por vir.

O problema de qualquer continuação, principalmente uma que traga uma memória afetiva tão grande, é que para ter uma história é preciso acabar com o final feliz e apresentar um conflito, e isso por si só já pode causar uma má impressão. Então, é necessário muita habilidade para que este conflito seja apresentado com coerência e um bom contexto, e não é isso que acontece em “Monstros no Trabalho”. SPOILER ALERT! (mas nem se preocupe, eu quero te convencer a não assistir essa porcaria de seriado) Lembra do final feliz de “Monstros S.A.” onde, com um bela reviravolta, a crise de energia é SOLUCIONADA com a mudança de atividade de sustos para risadas? Pois bem, a série simplesmente acaba com isso, apresentando uma segunda crise de energia pois os monstros não estão acostumados a contar piadas (por mais que tenha rolado uma cena final no filme que mostrava o contrário). Assim, dentre tantos conflitos e caminhos possíveis, os criadores escolhem anular a solução apresentada no filme sobrepondo um segundo problema. E por mais lógico que esse caminho possa parecer, é uma premissa extremamente rasa e repetitiva.

Também há uma grande mudança de foco da série, pois agora Mike e Sulley viram coadjuvantes de forma abrupta e mal roteirizada. Isso porque não é balanceado adequadamente o peso do novo protagonista, que divide espaço com as estrelas do filme original com sua própria história, enquanto os velhos protagonistas e a história da empresa são pouco valorizados, por mais que sejam eles a mover a trama. Confuso né? É exatamente assim que você se sente assistindo, pois não fica claro se se trata de uma continuação de fato, ou um spin-off, tentaram fazer os dois e não deu certo.

Quanto aos novos personagens, falta carisma e MUITO. Não é nada fácil competir com Billy Crystal e John Goodman, ainda mais quando eles ainda estão presentes na série, mas nos novos personagens tentam valorizar a estupidez de forma exagerada. Fazendo um paralelo absurdo é como se o departamento de manutenção da empresa de energia fosse o escritório de Michael Scott em “The Office”, porém somente com Michaels e Kevins, eles certamente tem os seus momentos de estrelado, mas na maioria do tempo eles são só burros, por mais que sejam pessoas boas. E vale dizer, ainda neste paralelo absurdo, que a dinâmica de “The Office” funciona muito bem no ambiente adulto, mas para um seriado infantil não.

No fim das contas, “Monstros no Trabalho” é uma sequência de decepções e desrespeito com o filme original e não merece a sua atenção, nem por 20 minutos (que é o tempo médio de cada episódio). O seriado estreia amanhã no Disney+ com episódio duplo e novos episódios chegarão todas as quartas até setembro.

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