THE CHAIR | SANDRA OH MOSTRA SEU TALENTO PARA COMÉDIA EM EMOCIONANTE E REFLEXIVA SÉRIE DA NETFLIX

Depois de Grey’s Anatomy e Killing Eve (que ainda está filmando sua quarta e última temporada), Sandra Oh está de volta com a série The Chair, uma comédia dramática da Netflix criada por Amanda Peet e Annie Julia Wyman.

A Dra. Ji-Yoon Kim (Sandra Oh) acabou de ser nomeada a primeira mulher chefe do Departamento de Literatura da renomada e tradicional Universidade Pembroke e logo na primeira cena já temos um vislumbre do que será a temporada inteira: Ji-Yoon chega animada para seu primeiro dia no novo cargo, entra em seu novo escritório, coloca na mesa uma placa que, em outras palavras, diz que ela é quem manda em tudo agora e ao se sentar satisfeita, a cadeira quebra e ela vai ao chão. É o início perfeito porque é exatamente isso que acontece, todas as expectativas de Ji-Yoon são rapidamente quebradas, além de já mostrar que a veia cômica de Sandra Oh está no ponto e essa é apenas a primeira de muitas vezes que você rirá assistindo à The Chair.

O departamento de Literatura está passando por dificuldades, o número de alunos matriculados só cai e as aulas estão quase vazias, parte por conta da sociedade atual que deixa pouco espaço (ou utilidade) para as matérias do curso, mas o grande problema é o corpo docente formado por professores que, após décadas e décadas ensinando, se recusam a atualizar o currículo de suas aulas – ou suas mentes. E é justamente por conta desse colapso que Ji-Yoon é escolhida para liderar o departamento, na esperança de modernizar o currículo e colocar Literatura de volta ao mapa, mas logo no seu primeiro dia o reitor já lhe dá uma tarefa impossível: demitir três professores para equilibrar as contas.

De todos os professores do departamento, os três que menos tinham alunos são também os três com os salários mais altos, já que são os mais funcionários mais antigos. A decisão deveria ser simples, mas um dos grandes diferenciais da Dra. Kim é sua lealdade e respeito em relação aos seus colegas e ao invés de demiti-los para resolver seu problema mais rápido, ela escolhe ajudar e incentivá-los a melhorar, mas como nada é tão simples, encontra resistência e torna sua vida mais difícil.

Os problemas de Ji-Yoon não param na escola, ela é mãe solteira de uma filha adotada que nem sempre faz questão de demonstrar afeto em relação à mãe. Um dos temas abordados na série é a questão da família, pertencimento e herança racial. Ji-Yoon é coreana (assim como a atriz Sandra Oh, que há muito tempo expressava sua vontade de representar uma personagem mais conectada com sua cultura natal e, enfim teve essa oportunidade) e tem orgulho de ser e transmitir sua cultura para sua filha, mas Juju tem descendência mexicana e nem sempre se sente como parte da família.

Quando o quesito é romance, a vida de Ji-Yoon não fica nem um pouco mais fácil. Divorciada, ela nutre uma paixão por Bill (Jay Duplass), o professor mais popular do departamento e seu melhor amigo, mas Bill passa por suas próprias questões, desde o falecimento de sua esposa ele está perdido na vida e as coisas só pioram quando numa brincadeira de mau gosto e extremamente inconsequente, ele faz ilusão à saudação nazista em sala de aula. Bill não é mau sujeito (e muito menos nazista), mas fora de contexto o vídeo feito por seus alunos viraliza, ele é “cancelado” e a pressão sob Ji-Yoon só aumenta.

The Chair tem apenas 6 episódios de 30 minutos e cada um desses minutos é aproveitado ao máximo, nada é feito em excesso e o dinamismo e ritmo dos episódios te levam a querer mais. Além de Sandra Oh, que sozinha já faria a série valer a pena e diverte podendo mostrar que é tão incrível na comédia quanto no drama, e Jay Duplass que se encaixa perfeitamente no papel de professor universitário de meia idade passando por uma crise existencial, o elenco ainda conta com Elliot Rentz como Bob Balaban e a talentosíssima Holland Taylor como Joan Hambling. Bob e Joan estão entre os professores mais antigos com salários mais altos que Ji-Yoon se recusa a demitir e eles encabeçam a reflexão a respeito do envelhecimento, do contraste com as novas gerações e a dificuldade de se adaptar. Outra peça importante é Yaz McKay, interpretada por Nana Mensah, a professora mais jovem e única mulher negra do departamento. Ela representa a mudança, tem seu próprio método de ensino, é altamente qualificada e é muito mais próxima dos alunos, logo se torna a professora preferida, mas nada disso é reconhecido por seus colegas, com exceção de Ji-Yoon que a apoia incondicionalmente, seja por preconceito em relação ao seu gênero, raça ou idade.

The Chair fala de muitos assuntos delicados, polêmicos e de extrema relevância para os tempos atuais. Poderia, se tivesse tomado outros caminhos, ter se tornado uma série pesada, afinal nunca é fácil discutir questões de raça, de gênero, família e até mesmo a cultura de cancelamento que se faz cada vez mais presente, mas a série consegue navegar por todos esses campos com leveza, graça e muita inteligência, sem nunca bater o martelo parcialmente sobre o que é certo e o que é errado, ao invés, mostra todos os lados para que você perceba que nem sempre é tudo preto no branco.

É verdade que por tratar de tantos assuntos de uma vez só em tão pouco tempo (a temporada inteira acaba durando menos do que o último filme dos Vingadores), às vezes eles não são tão aprofundados quanto poderiam ser e uma coisa ou outra acaba sendo apressada, mas nada disso tira o brilho de The Chair, que consegue fazer refletir e emociona na mesma medida.

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