TORMENTO | ENTREVISTA COM O DIRETOR DO NOVO THRILLER DE SUSPENSE NACIONAL

Chegando nas plataformas digitais Looke, Now, Vivo Play, Sky, iTunes, Google Play e Microsoft em 1º de abril, Tormento é novo thriller de Ricardo Rama sobre Débora (Nivea Stelmann), uma advogada bem-sucedida que é sequestrada e mantida em cativeiro por um psicopata (Luiz Guilherme). Presa, agredida e violentada, ela é obrigada a lidar com seu sequestrador. O elenco também conta com Lu Grimaldi e Yanna Sardenberg.

Já assistimos ao filme e já avisamos que não é para os fracos. Divino, o sequestrador de Débora, é um locutor de rádio, que dá conselhos amorosos em seu programa de rádio e um religioso fanático que não coloca nenhum dos ensinamentos da religião em prática, muito pelo contrário. Desde suas primeiras cenas com Débora já vemos toda a violência e desumanidades de que é capaz, numa sequência de cenas fortes e que nos transmitem a angústia e desespero de Débora.

Conversamos com o diretor e roteirista Ricardo Rama sobre a criação do projeto, confira:

SuperCinema: Além de dirigir, você também é responsável pelo roteiro, certo? Como que surgiu a ideia para o filme?

Ricardo Rama: É, na verdade, eu já eu já escrevo roteiros há bastante tempo, né? Eu tinha produzido alguns longa-metragens pra pra alguns produtores, alguns trabalhos que eu tinha feito e eu necessitava de fazer o meu. Eu e meu sócio, a gente conversando, ele me deu a ideia da gente fazer uma coisa assim, um roteiro B.O. mesmo. De baixo orçamento, né? Que fosse dentro de uma casa só, uma coisa, assim, mais contida e tal. E aí, eu botei a cabeça pra funcionar, eu tirei umas férias numa casa de praia e fui pensando no roteiro, eu tinha essa ideia inicial de de um cárcere, de um cárcere privado e tal. E aí eu desenvolvi ele todo pra ser feito dentro da casa, acabei fazendo algumas coisas fora, tem cena de ônibus, tem cena fora e tal, mas tudo bem, bem controladinho pra gente poder conseguir realizar. Já que era um filme independente, um filme feito do próprio bolso.

SuperCinema: Eu queria saber também sobre a criação dos personagens. Principalmente do Divino, que eu achei um personagem muito interessante, ele tem uma ambiguidade, né? A gente vê ele com a Débora Cativeiro e depois ele como locutor, que são duas pessoas completamente diferentes. E a devoção religiosa também, né?

Ricardo Rama: É, sempre tive isso, desde o meu primeiro curta-metragem, eu tinha essa coisa com a religião, essa implicância com religião, não com Deus, não com a fé, mas com a religião. Eu sempre digo quando eu tô meio estressado, revoltado em rede social, eu sempre coloco a frase “a religião afasta as pessoas de Deus”. Então, esse personagem, ele foi criado dessa maneira. Eu tinha uma ideia de um psicopata e eu queria rebuscar mais, eu queria colocar mais elementos nele, então eu busquei, eu botei a coisa da religião, que é uma coisa que eu sempre usei. Eu sempre usei isso em todos os meus filmes, sabe? Todos os meus filmes têm isso, tem um filme, um curta-metragem, que é é uma família problemática, uma família tensa, uma família que no almoço, sempre tinha cenas tensas e tal, e na parede tá a foto da Última Ceia, que é a harmonia da família, harmonia na mesa. Então, sempre eu coloco essas coisas. E tem a coisa do locutor também, essa coisa ambígua dentro do cara, de dizer uma coisa e dar conselhos de amor, ele fala sobre sobre poesias, né? Ele dá conselhos pras pessoas e dentro da casa dele, ele tem aquele caos, que é a vida que ele transforma. E sempre tem uma coisa falando parecido com o que tá acontecendo com ele, na cena, por exemplo, em que ele fala que ela está impura, porque ela está menstruada, e aparece um ouvinte falando que a namorada gostaria de transar com ele menstruada, e que ele acha sujo, então ele ainda dá conselho sobre isso, mas conselho que ele mesmo não segue, ele só transaria com a mulher que estupra sem a menstruação. Então, quer dizer, uma coisa bem, bem, bem louca mesmo, já buscando elementos pra poder apodrecer mais ainda esse personagem.

SuperCinema: O filme tem cenas muito fortes, e é um assunto muito forte também. Como que foi dirigir essas cenas?

Ricardo Rama: É, é bem difícil. Eu me lembro que na minha vida acadêmica, como estudante de cinema, eu tinha feito um ou dois filmes, que tinham cena de sexo, alguma bem rápida, mas a gente procura trabalhar com luz. E eu eu aprendi ali. Com alguns atores me explicando como eles trabalhavam e tudo. E equando fui fazer com a Nívea, primeiro, é legal dizer que eu fiz esse filme, esse roteiro, para Nivea. A Nivea foi minha amiga de colégio, de faculdade. Ela estudou cinema comigo, nós nos tornamos amigo ali, e sempre fizemos coisas juntos, ela atuou no meu último curta-metragem de formatura da faculdade. Então, a gente é amigo desde então, e a gente tinha essa vontade de fazer longa aí eu falei pra ela “eu vou escrever um roteiro pra você, tá? Mas eu vou desconstruir a sua imagem de menininha da Globo, vou desconstituir isso aí, você topa?” E ela “pô, super topo, com você, topo tudo que você quiser.” E é assim, eu e ela, durante muitos anos, tudo que um faz, o outro topa. Então, então, a gente faz tudo junto e ela sempre topou.

SuperCinema: E você já tem algum novo projeto?

Ricardo Rama: Tenho, eu estou trabalhando numa série. Numa série bem pesada também, sempre que eu mexo, eu vou mais fundo um pouquinho na coisa da igreja, com certeza vou ser excomungado depois disso, mas é muito legal e no final ela é positiva. Positiva, tanto pra igreja, quanto pra todos, mas é uma série bem bacana que eu tô praticamente terminando já. E eu tenho a continuação do Tormento. No final ele dá uma ideia de final aberto, já tem a continuação pronta e a Nívea tá doida pra poder fazer isso. Vai ser bem legal, vai ser a a redenção dela, né? Vai ser realmente o grande momento dela no filme.

Confira também nossa entrevista com Nivea Stelmann, a protagonista de Tormento!