Para sempre é muito tempo. Muito mais do que nós (humanos) podemos conceber. O nosso mundo se transforma em uma velocidade imensurável. Já tivemos que caçar com lanças para comer, agora nos satisfazemos de gastronomia cosmopolita com apenas uma ligação. Já tivemos aparelhos de VHS que sustentavam um império de locadoras que aplicavam multas por fitas não rebobinadas. Câmeras de cinema já pesaram meia tonelada e, hoje, sucessos de crítica são filmados com práticos smartphones. E isso tudo refere-se apenas ao mundo que nos cerca, sem contar todas as mudanças de ideia e opinião, o gostar ou não daquilo, o acreditar ou desacreditar, mentir ou dizer a verdade. Com todas essas variáveis e inconstâncias, como escolher algo – ou alguém – para sempre?

No curta dessa semana, ‘Stryka’, uma réptil alienígena vivendo em um Brooklyn futurístico, relata a crise que vive com seu “partner in crime”. A expressão ‘parceiro no crime’, em inglês, adquire outro significado: alguém com quem se pode contar, de quem se pode depender, no contexto de uma relação. Neste filme, o significado literal também é válido.

A estória apresentada, escrita e dirigida por Emily Carmichael, está longe de ser nova, como na verdade, muitas das estórias contadas nos filmes que chegam aos cinemas todas as semanas também não são. Nós já temos o cinema por mais de cem anos, a televisão por muitas décadas, sem contar a literatura ou o teatro. De fato, consumimos muitas narrativas, o que torna plausível imaginar (e aceitar) a repetição de temática ou estrutura, também dos arquétipos. O que não podemos aceitar é o clichê. Em ‘Stryka’, uma estória já vista e já vivida antes nos é apresentada com uma cara nova, curiosa.

A maior crítica que Hollywood tem recebido está diretamente ligada ao seu ciclo de repetição. Os estúdios tem investido milhões de dólares para trazer de volta estórias outrora adoradas, apostando muito apelo nostálgico junto ao público. Com exceção de alguns poucos casos (Mad Max: Estrada da Fúria e Star Wars), roteiristas e diretores tem falhado em encontrar formas de recontar jornadas e manter essências vivas.

Que o mundo mude, que você mude, mas que as estórias, essas sim, sejam para sempre.

Um Curta Por Semana é a coluna dedicada a divulgação de narrativas curtas, tão essenciais a construção da sétima arte.

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