“Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha” é o filme de época mais carismático do ano

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Alto, jovem e bonito, Abdul era apenas um assistente na prisão onde trabalhava na Índia. Juntamente de um colega, ele é convocado para representar seu país e servir a Rainha Victoria no jubileu em sua homenagem – a Grã-Bretanha governou a Índia por 29 anos. Carismático – pelo menos aos olhos da rainha, já com idade bem avançada -, em pouco tempo ele se tornou uma pessoa importante dentro da corte, para a revolta de muitos que acercavam a realeza. Já bem perto dos seus últimos dias, enfim Victoria tinha reencontrado um amigo e confidente.

“Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha” chega aos nossos cinemas essa semana e é baseado em fatos reais, relatos encontrados no diário da própria rainha. Dirigido pelo experiente Stephen Frears (de “Ligações Perigosas” e “Philomena”), o filme conta com a vencedora do Oscar Judi Dench e o ator de Bollywood Ali Fazal nos papéis principais. O roteiro foi adaptado pelo indicado ao Oscar Lee Hall (de “Billy Elliott”), baseado no livro “Confident royal: La reine et le serviteur”, escrito por Shrabani Basu.

Transformado por Frears em uma comédia de época, esse é o típico filme onde um personagem inusitado chega e dá uma sacudida na vida do protagonista por não seguir as regras. No entanto, tudo é muito contido, controlado. O filme não pretende ser uma comédia “pastelão”, o tornando mais realista, mas, por outro lado, também não há nenhum grande momento digno de nota. Supostamente, uma comédia deveria fazer rir, mas aqui, as risadas são aquelas de canto de boca, aquele sorriso apenas “simpático”.

Algo que gostei no filme, é a maneira como um jovem muçulmano acaba criando uma conexão inusitada com a figura maior do reino que controla o seu povo. Naquela época, os movimentos de independência dos indianos estavam cada vez maiores, gerando conflitos e rebeliões entre os dois países. Ao passo em que Victoria começa a aprender coisas novas com Abdul, e a enxergar a beleza nas pequenas coisas, nós vemos que, políticas e preconceitos à parte, o sentimento de amor e amizade podem vir absolutamente de qualquer lugar. E essas mudanças positivas que vão acontecendo na vida de ambos reforçam como é importante termos a mente aberta e saímos da rotina.

No entanto, essa parte mais controversa da questão política entre as duas nações não é aprofundada no filme. Frears prefere apostar numa abordagem quase livre de críticas, tornando o longa mais leve e agradável de se acompanhar. Algo muito semelhante com o que fez no seu trabalho anterior, “Florence: Quem é Essa Mulher?”, uma trama simpática, porém sem muitas nuances. Algumas pessoas gostam dessa abordagem, mas particularmente me interesso muito mais por conflitos. Como diria o guru dos roteiristas Syd Field, “drama é conflito”.

 

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Sendo assim, “Victoria e Abdul” enfoca a rotina monótona da rainha, mostrando as frivolidades da aristocracia, seus conservadorismos e caprichos, vistos pelo lado comum da população. Tecnicamente, o filme conta com belas paisagens e uma reconstrução de época muito competente, fruto do trabalho de nomes experientes e prestigiados na indústria, como a fotografia de Danny Cohen (“O Discurso do Rei” e “O Quarto de Jack”) e a direção de arte de Alan MacDonald (“A Rainha” e “Sing Street: Música e Sonho”). A trilha sonora de Thomas Newman (indicado a 14 Oscars) também é destaque, ambientando muito bem o universo.

Além de haver um probleminha de ritmo, como todo o tom do filme é muito leve nos dois primeiros atos, há uma mudança que soa um tanto brusca no ato final, que pode soar incongruente. Mesmo que provavelmente não seja indicada pelo filme como Meryl Streep foi em “Florence” (embora eu discorde totalmente da indicação, diga-se), Judi Dench entrega uma atuação muito competente e segura, o tipo de papel que já está acostumada a interpretar. Ali Fazal é uma grata surpresa, carismático e simpático, esse papel pode tê-lo ajudado muito em futuros projetos no cinema ocidental.

Dito tudo isso, considero “Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha” um filme agradável para aqueles momentos de bom humor no nosso dia, mas muitas vezes, filmes que não se arriscam acabam frustrando o espectador, e eu particularmente, saí um tanto frustrado. Não há muitos defeitos, pois tecnicamente é um trabalho competente e “redondo”, mas poderia ter ido além da comédia “ingênua”, reforçando talvez uma camada mais emotiva sobre a vida de uma rainha cercada de tantas formalidades e interesseiros, até que surge uma bela e improvável história de amizade verdadeira.

E você, já assistiu ou está ansioso para ver? Concorda ou discorda da análise? Deixe seu comentário ou crítica (educadamente) e até a próxima!

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