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“Azul é a Cor Mais Quente” é um filme com uma particularidade única, um filme feito de detalhes.

As cenas de Adèle nos mais casuais momentos, faz nos tornamos observadores e admirar seus movimentos: quando está na cama escrevendo, arrumando seu cabelo, na sala de jantar com a família, e nos momentos com a amante.
Deve ser considerado desde o princípio a importância que o diretor deu aos detalhes. Importante ressaltar que o filme não é considerado somente sobre amor – é um filme sobre a descoberta da protagonista em relação à como o mundo influencia a sua vida. Sobre o que essas descobertas provocam ao seu redor. Durante a obra, sua vida vai se transformando. E em sua fase mais madura, vemos a preocupação de Adèle com suas pretensões com a humanidade, como, por exemplo, nas cenas em que leciona para crianças, sua preocupação com alfabetização e tudo aquilo que influencia as mesmas. Suas frustrações acabam com a utopia que anteriormente sentia, e mostra de uma maneira delicada, seu amadurecimento.
Como o contexto do filme vai bem mais além do amoroso, englobando até mesmo o político cultural, constatamos que o filme é muito mais do que apenas o que vemos, precisando olhar com mais cuidado, devido ao diretor Kechiche mostrar a obra com uma reflexão crua, notando-se o mesmo também na fotografia.
O filme com temática LGBT, tem recebido diversas críticas sobre as cenas prolongadas de sexo entre as protagonistas, inclusive recentemente ser acusado de propaganda gay e pornografia infantil pela Organização local da League of Safe Internet (LBI), na Rússia. (http://cineplayers.com/noticia/-azul-e-a-cor-mais-quente–tem-problemas-com-lei-na-russia/10831). Compreende assim um prejulgamento, discriminação e rejeição a uma obra que, provavelmente em alguns anos (mais que no presente), será considerada inovadora. Pensamento precário que impede até mesmo que alguns intelectuais analisem uma obra com grandes valores sociológicos cabíveis com a atual situação em que vivemos.

Por Camila Bonfim.

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