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Um terror que pode assustar e comover bastante o público. Essa é a realidade desta incrível produção sueca, mostrando que os europeus são capazes sim de fazer algo que foge da temática dos filmes tradicionais.

A adaptação de uma obra literária pode parecer fácil aos olhos de quem confere o resultado assistindo a um filme baseado em um determinado livro ou novela. O que se vê em muitas produções cinematográficas dessa natureza é o excesso ou exagero sensacionalista que vai além da mensagem que aquela obra quer transmitir. Pode-se citar como exemplo desta teoria, a refilmagem hollywoodiana do filme em questão, intitulado ‘Deixe-me Entrar’ de 2010.

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Entretanto, pode-se assistir a adaptações realizadas de forma mais simples, ao mesmo tempo com tamanha perfeição e que consegue sensibilizar e até emocionar o telespectador, mesmo sendo uma história misteriosa com um certo terror embutido. Este é o universo do filme ‘Deixa Ela entrar’.

Dirigido por Tomas Alfredson, o mesmo diretor de ‘O Espião que Sabia Demais’, o filme é baseado na obra do escritor sueco John Ajvide Lindqvist, o qual também participou do roteiro.

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O filme conta a história de Oskar, um menino de 12 anos, sofredor das injustiças cometidas diariamente pelos outros garotos da escola. Oskar, que é uma pessoa sem amigos e vitima de bullying, acaba ganhando novos vizinhos no condomínio em que mora, vindo a conhecer Eli, uma criança misteriosa, aparentemente da mesma idade que ele. A relação de amizade entre OSkar e Eli é bastante proveitosa, apesar de estranha, exatamente devido ao mistério sobre a natureza de Eli. Exatamente após sua chegada, pessoas passam a morrer de forma assustadora, tendo seu sangue retirado cautelosamente do seu corpo, deixando a entender que Eli, na verdade, não é uma pessoa, mas um vampiro. Há um mistério que também cerca o homem que acompanha Eli, tido como uma espécie de pai ou guardião.

Com um contexto muito parecido com o da Saga Crepúsculo, o filme traz uma trama realmente séria e digna de elogios. Não há o velho e conhecido melodrama mas existe um tom bastante melancólico, ao mesmo tempo triste, que conecta os destinos dos dois jovens protagonista. Com um toque singelo de terror, o filme mostra uma história bem mais envolvente sem todo o sensacionalismo que vemos na maioria dos filmes do gênero. A aproximação dos dois personagens também é algo bastante delicado e discutível. A história em si se torna bastante aceitável aos olhos do público, o qual poderia até mesmo associar aspectos homo afetivos dentro do enredo, o que não é necessariamente um fato politicamente correto para quem realmente entendeu a história por trás do segredo de Eli.

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Outro fator determinante para a trama é uma parte do livro que não é mostrada no filme. Uma atitude bastante inteligente dos idealizadores, uma vez que isso comprometeria o enredo em sua totalidade. A cena em questão envolve um ritual de castração que, por mais relevante que seja para o livro de um modo geral, não contribui para o melhor entendimento do telespectador podendo até mesmo ter estragado o contexto do roteiro durante a realização do filme.

Mesmo que a verdade sobre Eli não tenha sido identificada em sua totalidade, quem ficou ciente da condição da personagem só após conferir o filme, não se desapontou, pois, todo esse mistério se mostrou bastante irrelevante para o enredo da produção.

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Se o filme conta com falhas técnicas, elas podem ser conferidas no acabamento do efeito fotográfico, uma vez que, em algumas cenas, mesmo de dia, o filme se mostra bastante escuro e com cenas que lembram filmes antigos. Mesmo que se tratasse de uma história com um tom de terror, o filme não precisava ter ficado tão escuro.

Só restam elogios para a produção, vendida como um terror, mas que também possui um toque dramático. É uma produção bastante simples, mas rica em conteúdo, comovente e grandiosa. Não é o tipo de filme que mereça ser refilmado. Contudo, Hollywood, movida pela ganância e ambição, sempre acaba fazendo besteira com filmes assim. Foi o que aconteceu com ‘Deixe-me Entrar’ estrelado por Chloe Grace Moretz.

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