Luiz Rosemberg Filho. Talvez você nunca tenha ouvido falar este nome ou nem assistido nenhuma de suas obras. Mas, eis uma ótima oportunidade de conhecer seu trabalho como diretor e roteirista com o imperdível “Guerra do Paraguay” que estreia em circuito nacional esta semana. Rosemberg é do tipo que curte fazer cinema diferenciado e com longos cinquënta anos de estrada chegando a ter um de seus filmes censurado, “Crônica de um Industrial” por conter temáticas que eram contra os preceitos da ditadura militar no Brasil.

Com uma linguagem teatral, “Guerra do Paraguay” não é um filme para quem busca diversão. É uma artística e comovente história sobre o confronto entre a arte e a ignorância da violência que se encontram meio a uma guerra. Com um baixo orçamento, o produtor Cavi Borges ficou preocupado quando Luiz Rosemberg Filho lhe propôs filmar um longa sobre a guerra (já que deixou Rosemberg à vontade para dirigir o que ele quisesse). Ciente que aqui no Brasil um filme de grande porte com este tema é difícil ser rodado até por causa dos baixos recursos, Rosemberg deu a ele a sua melhor resposta: as armas vão ser as palavras, confessou ele no Cine Pe ano passado, onde foi exibido pela primeira vez.

O roteiro inovador e brilhante foi fruto da cabeça do diretor que estava com este projeto em mente há uns 16 anos. Já que “Guerra do Paraguay” seria um ambicioso planejamento, ele conseguiu realizá-lo com grande magnificência. O filme contém conotações políticas e sociais deixando que a plateia reflita nos diálogos de seus protagonistas em uma época que pensamentos divergentes ainda eram discutidos e respeitados.

“Guerra do Paraguay” começa com um plano seqüência de uma dura e difícil caminhada de uma pequena trupe de teatro que no meio do caminho se depara com um soldado sujo e esfarrapado que se gaba por sua glória do passado. Essa trupe no caso são três mulheres que vivem numa época a frente de seu tempo, enquanto o soldado é um sujeito retrógrado que defende sua devoção e fanatismo pela militância de forma esdrúxula, porém engraçada. O embate de ideias e filosofias não são mais que os reflexos de suas realidades.

De fato, esse belíssimo longa é forte e maduro e o público percebe isso desde o início. Por sua intensidade, seus elementos como: a carruagem com artistas de teatro, estilo medieval, diálogos ponderados e eloqüentes entre seus protagonistas, lembra o excelente filme de Ingmar Bergman, “O Sétimo Selo”. Pode ser comparado também por estar à altura dele, de seu bom tom de nível intelecto e de sua alta qualidade.

Filmado em preto-e-branco (que aliás, numa bonita fotografia), consegue convencer como um teatro, pegando diversas vezes os espectadores de surpresa em seus atos, mas que também provoca algumas reações por causa dos conflitos dos raciocínios e choque de valores dos protagonistas. Talvez seja também por sua história criativa que este filme delicioso não foge a regra com um argumento racional, devemos admitir que foi muito bem trabalhado e conduzido. “Guerra do Paraguay” não recorre a tons sensacionalistas, mas o mais marcante dele é onde isso tudo termina. Esplêndido.




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