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Não costumo fazer isso, mas vou quebrar um protocolo e afirmar logo no início: “Na Natureza Selvagem” é um filme que marca por muito tempo e te faz refletir sobre a vida.

Vez ou outra algum ator decide se aventurar e assumir o cargo de diretor em um filme e, apesar de alguns deslizes, temos grandes exemplos dessas aventuras que deram muito certo. “Na Natureza Selvagem” é, talvez, o maior desses exemplos. Escrito e dirigido pelo experiente ator vencedor do Oscar Sean Penn, que aguardou durante 10 anos pela aprovação da família McCandless, o filme é baseado na biografia de Christopher McCandless, recém-formado na faculdade que viajou pelo seu país rumo ao Alasca, em busca de um maior conhecimento espiritual e conexão com a natureza.
Semelhante à história de muitos jovens, Chris (interpretado por Emile Hirsch, 18 quilos mais magro e alcançando a melhor atuação de sua carreira) vivia em um ambiente amoroso com sua família, porém disfuncional e artificial. Adepto da frase de Thoreau: “Em vez de amor, dinheiro, fé, fama, eqüidade… dê-me a verdade”, o jovem embarca em uma jornada impressionante e o espectador vai junto, sendo privilegiado pelas belíssimas paisagens fotografadas por Eric Gautier (Diários de Motocicleta, de 2004) e aventuras (nas quais foram necessárias quatro viagens ao Alasca), embaladas pela magnífica trilha-sonora de Eddie Vedder, vocalista da banda Pearl Jam. Vedder, aliás, aceitou de imediato o convite de Sean Penn mesmo sem saber o que o projeto abordaria. O filme foi indicado a 2 Oscar e ganhou um Globo de Ouro de Melhor Canção Original, por Guaranteed.
Entretanto, este não é um filme de “apenas” paisagens e músicas, o elenco é recheado de grandes atores como Marcia Gay Harden (Vencedora do Oscar por Pollock, de 2000), William Hurt (Vencedor do Oscar por O Beijo da Mulher-Aranha, de 1985), Catherine Keener e Hal Holbrook (ambos indicados ao Oscar), além de Vince Vaughn e Kristen Stewart, e todos, por conta de seus personagens bem escritos conseguem transmitir de forma bastante emotiva seus anseios e preocupações. Mas quem atinge a perfeição em seu papel é mesmo o protagonista Emile Hirsch, que não teve dublê em nenhuma de suas cenas e deu vida ao espírito aventureiro e inspirador de Chris.
Na Natureza Selvagem é uma longa viagem de 2 horas e meia, mas vale a pena esperar. A conexão do espectador com o protagonista aumenta de forma gradativa e o filme vai atingindo seu clímax muito próximo do ato final, méritos do grande trabalho do diretor e da edição do filme, que foi indicada ao Oscar. É indiscutível que foi colocado muito coração no projeto e no centro de sua história, onde prova que você mesmo pode escolher o caminho que deseja trilhar, desde que acredite no que faz e tenha um propósito. Na Natureza Selvagem atinge o interior de cada um e faz refletir, se tornando um dos melhores filmes da década.

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