Um filho pródigo da New Hollywood

Ainda com causas não divulgadas, faleceu neste dia 02 um dos talentos precoces mais meteóricos do cinema americano. Michael Cimino em seu segundo filme, O Franco-Atirador (The Deer Hunter) de 1978 conseguiu uma estatueta do Oscar de melhor direção, causando inveja e expectativas quanto ao sua suposta ‘genialidade’. Em uma época cheia de egos inflados e competitividade quase adolescente de nomes como Francis Ford Coppola, Steven Spielberg e Martin Scorsese para conseguirem se firmar como autores, pois a ‘New Hollywood’ como foi chamada esta geração tinha influências acadêmicas da Nouvelle Vague, Neo-Realismo italiano e outros movimentos, conseguiu transformar para sempre a cara do cinema americano.

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Neste ponto da história, Cimino se destacou por documentar de forma crua a dor recente do país com seu conflito no Vietnã, não como o alegórico ‘Apocalypse Now’, mas com personagens críveis do americano médio, imigrante e completamente alienado aos problemas atrelados a guerra. A ferida aberta e exposta foi elogiada pela crítica e deu uma das melhores atuações de Robert De Niro e Christopher Walken.

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Já que a busca por realismo sociológico estava em alta, Cimino representava ali a vanguarda do que havia de melhor. A United Artists deu liberdade criativa total a ele, oque se mostrou um erro, pois Cimino estourou o orçamento de seu mais ambicioso projeto, ‘O Portal do Paraíso’(1980), um western épico que ficou marcado por demissões constantes na direção de arte, seguranças controlando o acesso da mídia as filmagens, oque gerou uma espera supervalorizada do resultado, já que o diretor tinha fama de perfeccionista.

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Até hoje, uma das produções mais caras e com pior resultado de bilheteria da história, dando a ele o ‘Framboesa de Ouro’ de pior direção, e a falência definitiva do estúdio. Peter Biskind em seu interessante livro de bastidores ‘Easy Riders, Raging Bulls’ declara que o filme foi o fim daquela geração criativa.

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De lá para cá, o diretor ensaiou retornos com o opulento, e igualmente fracassado ‘O Siciliano’(1987) adaptado do romance de Mário Puzo, e o cult-trash ‘O Ano do Dragão’(1985), um policial violento e exagerado estrelado por Mickey Rourke.

A vida de Cimino entra no roll dos diretores descendentes, como o gênio Orson Welles, que teve sua carreira execrada por questões políticas e criativas, ou M. Night Shyamalan que perdeu sua própria assinatura em filmes repetitivos, mas para nós cinéfilos haverá sempre um espaço para estudar e entender estes diretores que não tem medo de arriscar pelo que amam, o cinema, e Michael Cimino era um desses.

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